Catedral de Lisboa: história, arquitetura e mapa de localização

A Catedral de Lisboa, conhecida também como Sé de Lisboa ou Igreja de Santa Maria Maior, é um dos monumentos mais emblemáticos e antigos da capital portuguesa. Foi fundada logo após a conquista cristã da cidade, sobre restos de uma mesquita demolida por ordem de Afonso Henriques, e apresenta uma evolução arquitetónica que reúne elementos românicos, góticos, maneiristas, barrocos e revivalismos neorromânicos, neogóticos e neomanuelinos.

Breve história

A Basílica de Santa Maria la Mayor foi construída em 1147 sobre os restos de uma mesquita, pouco depois da conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques. Esta fundação tão temprana faz do edifício um dos mais antigos de Lisboa. Ao longo dos séculos a catedral sofreu várias modificações e restauros, tendo sido bastante alterada pelos restauros revivalistas dos séculos XIX e XX, que lhe deram uma feição medieval com soluções neorromânicas e neogóticas.

A Catedral viveu os seus piores momentos durante o Grande Terramoto de 1755, que danificou muitas das suas estruturas e conduziu a posteriores adições do período barroco. Vestígios da antiga mesquita, datados entre os séculos IX e X, foram descobertos no jardim do claustro.

Planta, plantações e organização do conjunto

O conjunto é formado por uma igreja de planta em cruz latina, composta por três naves escalonadas, cada uma delas com seis tramos divididos por pilares fasciculados, com transepto saliente e cabeceira composta por capela-mor e deambulatório com várias capelas radiantes. Possui corpos adossados formando vários anexos, capela lateral, camarim e a sacristia. A catedral evolui na horizontal, com corpos articulados e coberturas diferenciadas.

Claustro

O claustro é quadrangular de dois pisos, adossado à fachada posterior, formando apenas três alas. Apresenta um piso com cobertura em abóbada de aresta e pavimento lajeado, aberto para a quadra por arcadas com espelho ornado por óculos, surgindo, em duas das alas, capelas várias, as do lado N. protegidas por grades metálicas. Duas alas possuem dois pisos, com, na zona superior, a zona do arquivo e arrumos, com acesso por escada de caracol no ângulo SE.

Claustro da Catedral de Lisboa - arcadas e capelas

Fachadas e aparência exterior

As fachadas são em cantaria de calcário amarelo e lioz, rematadas por ameias ornamentais de feitura recente. A fachada principal, virada a oeste, é harmónica e composta por um corpo central com portal escavado formado por várias arquivoltas de volta perfeita, assentes em colunas e capitéis com decoração vegetalista, encimado por varanda e enorme rosácea. Está flanqueada por torres sineiras rasgadas por frestas que iluminam as escadas de acesso e possuem ventanas em arcos de volta perfeita.

A fachada principal resulta de uma reforma ampla, exceção feita ao portal de transição românico-gótico, visível na decoração dos capitéis; possui dois níveis de silhares (lioz e calcário mais antigo), e pedras modernas nas zonas do embasamento, evidenciando desmontagens e reaproveitamento de cantarias. Do exterior, a catedral está protegida por grossos muros com duas torres que funcionam como campanários, conferindo um aspeto mais característico de fortaleza medieval do que de templo.

Interior: naves, capelas e decoração

O interior é escuro em grande parte, devido às fachadas pouco rasgadas por janelas, exceto no corpo da capela-mor, intensamente iluminado. As naves e os tramos são marcados por pilares cruciformes que sustentam os arcos torais das falsas abóbadas de berço da nave central e das abóbadas de aresta das laterais. Por cima dos arcos formeiros corre um trifório estreito de cariz românico, que se prolonga nos braços do transepto.

Ao centro do transepto situa-se o altar-mor, iluminado por uma torre lanterna octogonal. A capela-mor possui fachadas revestidas a calcários de várias tonalidades, o pavimento revestido com o mesmo tipo de calcários e cobertura ornada por pinturas de temática mariana e estuque; nela surgem tribunas, dois órgãos e dois túmulos régios barrocos. Na parede testeira, destaca-se um simples altar encimado por um painel alusivo ao orago.

O deambulatório possui capelas poligonais, com acesso por arcos apontados e iluminadas por janelas com o mesmo perfil, onde surgem simples altares de cantaria; duas delas têm portas de acesso ao claustro. O conjunto revela que se tratava, simultaneamente, de uma igreja de peregrinação em torno do culto das relíquias de São Vicente, possuindo um amplo deambulatório com dez capelas radiantes.

Capela de São Bartolomeu e outras capelas

A Capela de São Bartolomeu é um dos setores melhor conservados apesar do terramoto, de planta retangular, dividida em dois tramos, com cobertura em abóbadas de ogiva e pavimento em mosaico geométrico. O acesso processa-se por arco apontado escavado na espessura do muro, com cinco arquivoltas assentes em bases altas, sustentando oito colunas e duas pilastras com capitéis fitomórficos; é protegida por grade de bronze com elementos geométricos e fitomórficos estilizados.

Uma das capelas do claustro mantém a aparência pós-terramoto, com alguns elementos embutidos de calcário nos capialços dos vãos e nas paredes. A Capela do Santíssimo e a capela-mor mantêm intactas, graças aos esforços de Raul Lino e Baltasar de Castro, as suas decorações pós-terramoto, exceto pela remoção de um dos órgãos e pela dispersão do espólio de antigas capelas.

Elementos artísticos e tesouros

A catedral possui pintura notável dos séculos XVI e XVII, imaginária da mesma época e importantes relíquias cristãs, destacando-se os restos de São Vicente, padroeiro de Lisboa. O presépio, oriundo da Patriarcal da Ajuda, é uma peça notável com temas raros como "A queda dos ídolos" e arquiteturas influenciadas pelos desenhos de Giovanni Battista Piranesi.

O espólio das antigas capelas e elementos que as adornavam encontra-se disperso por vários imóveis, vendido ou arrecadado nas dependências do edifício. A sacristia mantém a sua estrutura maneirista e o Camarim do Patriarca integra uma estrutura retabular proveniente de uma das capelas radiantes, de talha dourada e vários painéis pintados.

Estruturas de cobertura e estabilização

Os sistemas de cobertura variam: falsas abóbadas de berço na nave central e transepto, abóbadas de aresta nas naves laterais, cruzaria de ogivas no deambulatório e respetivas capelas e abóbada de lunetas na capela-mor. Exteriormente, existem vestígios de arcobotantes que descarregavam a abóbada de ogivas primitiva, ainda visíveis na cabeceira embora hoje desativados pela cobertura barroca em abóbada de lunetas.

Mapa de localização e acessos

A Catedral de Lisboa localiza-se no histórico bairro de Alfama, na rua Largo da Sé, no centro da cidade. Chegar à Sé não apresenta mistério: partindo do centro pode-se tomar o icónico elétrico 28, que percorre várias zonas turísticas e deixa mesmo em frente da catedral. Também é possível chegar de autocarro pelas linhas 737 ou 206.

Mapa de localização da Catedral de Lisboa - bairro de Alfama e melhores acessos

A entrada é gratuita para aceder à nave principal; contudo, a visita ao claustro e à cripta arqueológica exige a compra de bilhete. A Catedral é um local de culto ativo, pelo que horários podem ser afetados por celebrações religiosas ou festas.

Descrição sumária das fachadas laterais e elementos singulares

  • A fachada lateral norte é formada por corpos de diferentes alturas adossados, incluindo a Capela de Bartolomeu Joanes e o Camarim do Patriarca, com portas travessas e galerias de arcos apontados.
  • A fachada lateral sul tem contrafortes, frestas e janelas maineladas sustentadas por colunas de fuste liso e capitéis fitomórficos; inclui a sacristia adossada com dois registos e janelas protegidas por grades.
  • A fachada posterior apresenta um alto muro rematado pelo beiral do telhado e as janelas que marcam os dois registos do claustro.

Aspecto militar e função defensiva

Protegida por grossos muros e torres, a Catedral mantém o aspeto de fortaleza medieval, resultado da combinação entre funções religiosas e defensivas ao longo da sua história. As torres rematam em ameias decorativas prismáticas e as fachadas apresentam frisos, mísulas e rosáceas típicas da transição do românico para o gótico.

Horários, visita e recomendações

A Catedral pode ser visitada durante todo o ano, com horários que permitem explorar o interior, o claustro e a cripta arqueológica. Recomenda-se verificar previamente os horários, pois por ser local de culto activo, alguns espaços podem estar temporariamente indisponíveis durante cerimónias. Para quem visita, é recomendado subir às torres para observar a vista sobre Alfama e consultar o Tesouro e o camarin na sacristia superior.

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