Padre Marcelo Rossi e o empurrão na Canção Nova: relato, consequências e acolhimento

No mesmo altar onde foi empurrado durante uma celebração em 2019, o padre relembrou o episódio e pediu que os fiéis deixassem o ocorrido para trás, afirmando que é Deus quem levanta os fiéis. "Esqueçam o empurrão. Deus levanta", disse o religioso durante a missa.

O caso lembrado pelo religioso aconteceu no dia 14 de julho de 2019 durante a missa de encerramento do acampamento ‘Por Hoje Não’ (PHN) na comunidade católica Canção Nova. Uma mulher passou pela segurança e derrubou o padre de uma altura de quase dois metros de altura. Ele não teve nenhum ferimento grave e, no mesmo dia, chegou a dizer que sentiu “algumas dorzinhas, mas não quebrou nada”.

Foto do altar da Canção Nova onde ocorreu o empurrão

Como ocorreu o incidente

Por volta das 14h50, a mulher furou a segurança e invadiu o palco durante a celebração que acontecia na Canção Nova e o empurrou de cima da estrutura. No momento, pelo menos 50 mil pessoas participavam da celebração. Empurrado de cima de um palco com 1,80 metro de altura, ele teve pouquíssimo tempo para evitar o pior. Em um átimo de segundo, padre Marcelo Rossi pôs a mão na frente do rosto e caiu de lado.

Minutos depois, voltou ao púlpito e terminou a missa, ovacionado pela plateia. Depois da queda, o padre voltou ao palco e continuou a celebração. No fim da conturbada cerimônia, o padre nem quis ir ao hospital para fazer uma radiografia. No dia seguinte, dores nos ombros e nas costas foram as únicas sequelas que restaram da agressão sofrida.

Quem empurrou e motivação

De acordo com a Polícia Militar, a mulher, de 32 anos, foi encaminhada para a delegacia da cidade de Lorena onde prestou depoimento. Segundo a polícia, a mulher fazia parte de um grupo que veio do Rio de Janeiro para o evento. Os acompanhantes dela informaram que ela tinha histórico de transtornos mentais.

Em depoimento à polícia, a autora do empurrão alegou sofrer de transtorno bipolar. Moradora do Rio de Janeiro, ela havia ido ao local justamente para ver Marcelo Rossi, de quem afirmou ser fã. A mulher furou o bloqueio de segurança, invadiu o altar e, correndo, empurrou o padre para fora da estrutura de ferro.

Reações imediatas e postura do padre

O sacerdote estava em missão para a missa de clausura do campamento. A polícia militar conseguiu deter a mulher. Apesar da queda, Rossi não resultou ferido de forma grave. O padre disse ter perdoado à agressora e recusou-se a fazer um boletim de ocorrência contra a “serpente”. Mesmo assim, o documento foi registrado pela administração da Canção Nova.

O padre pediu para que as pessoas orem pela mulher que o atacou: "Seis pessoas estavam lá para segurá-la. Gente, é força do mal. Mas não façam nada com essa mulher, vamos orar por ela." Ele também afirmou: "Quando eu vi [o vídeo], aí eu entendi, Jesus e Maria me seguraram." Em seguida afirmou que sentiu a necessidade de voltar ao evento: "Não sei explicar, na hora que passou a dor na perna, eu imediatamente levantei. Pensei: 'Não vou parar, Maria me segurou. Vou terminar a missa, estava acabando de começar a homilia. Foi Deus'."

Consequências pessoais e recomeço

Depois do episódio da agressão, o religioso iniciou uma mudança em seu estilo de vida. "A importância do exercício físico, sou formado em educação física. Levar as pessoas aos exercícios. Corpo, mente e alma. E a amorização é levar isso. Deus não é um monólogo, Deus é um diálogo. Não é uma mão única, é uma mão dupla", afirmou.

Em um livro lançado recentemente, o sacerdote apresenta “a cura do coração” como instrumento indispensável para “amorizar”, que seria o ato de perdoar ou de agradecer diante dos desafios diários. "Está sendo um processo de cura (desde o empurrão) porque recentemente eu perdi meu pai. Vai completar um ano e no último capítulo eu dedico a ele. Compreensão, sem pressão, para não cair em depressão - como já passei por ela - com muita oração (acho que é o nome do capítulo). Então esse ano tem sido de muita amorização no meu coração", disse na época.

Saúde física e mental

Com 30 anos de sacerdócio, o padre explicou as mudanças em seu corpo nesse período e ressaltou a importância de se cuidar: "Fica aqui uma dica: a importância de se cuidar", citando seus médicos, um do corpo e outro da mente. "A gente fala sobre a importância do tripé: Se cuidar fisicamente, cuidar da mente e também através da palavra [de Deus]."

Como a comunidade reagiu

Os hits católicos também marcaram a missa realizada por Rossi na tarde desta sexta, como 'Erguei as Mãos', 'Tudo é do Pai' e 'Faço Nova Todas as Coisas'. A plateia ovacionou o padre quando ele retornou ao púlpito e terminou a celebração, numa demonstração de apoio coletivo.

Multidão na Canção Nova durante celebração

Aspectos legais do caso

Na delegacia, a agressora deu declarações desencontradas: disse que queria entrar para conversar com o padre e que se assustou na hora que viu os seguranças correndo atrás dela. A agressora estava na missa com um filho de 3 anos e, por isso, um representante do Conselho Tutelar de Cachoeira Paulista também esteve na delegacia. De acordo com a Polícia Civil, caso o padre Marcelo Rossi não queira apresentar queixa em até seis meses o caso será arquivado.

Relatos posteriores do próprio padre

Em seus programas matinais no YouTube e na rádio, o padre relembrou o ocorrido e afirmou que só viu a cena mais tarde, pela TV, em uma matéria do Fantástico. "Demorou para cair a ficha do que estava acontecendo. Só foi cair quando vi no Fantástico. A única coisa que eu sei é que fui salvo." Ele descreveu a sensação: "De repente, só lembro dessa cena, fui atirado ao ar. Não sei explicar. Mas uma dor... Os paramédicos chegaram, pegaram no meu pescoço para ver como eu estava e eu só esperava passar a dor".

Perdão e fé

O padre também pediu que a comunidade não respondesse com violência: "Se você for caluniado faça B.O. Não, não vá na delegacia. Bíblia e oração." Ele reforçou o tom de perdão e oração como resposta, dizendo que tinha perdoado a agressora e que o episódio era, em sua visão, um milagre por não ter danos graves.

Tabela resumindo fatos principais

  • Data do incidente: 14 de julho de 2019
  • Local: Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP)
  • Número estimado de presentes: cerca de 50 mil
  • Condutor do ato: mulher (32 anos segundo relatos policiais)
  • Motivação alegada: transtornos mentais; dizia querer conversar com o padre
  • Consequências físicas para o padre: dores musculares, sem fraturas
  • Ações legais: ocorrência registrada pela Canção Nova; depoimento prestado pela agressora

O episódio marcou não apenas a cobertura dos meios de comunicação, mas também a trajetória pessoal do sacerdote, que aproveitou o acontecimento para reforçar mensagens de cuidado com o corpo e a mente, de perdão e de confiança na fé.

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