História e fatos sobre o Cristo Redentor de Taubaté

A estátua do Cristo Redentor de Taubaté, inaugurada em 31 de março de 1956 à meia-noite, é um dos marcos religiosos e turísticos da cidade. Localizada no Bairro Alto de São Pedro, a imagem de 23 metros de altura foi erguida por iniciativa do professor Teodoro Correia Cintra, que angariou recursos na Diocese de Taubaté e por meio do programa Minuto Azul da Ave Maria, na Rádio Difusora.

Ideia, organização e iniciativa local

Uma das primeiras providências foi procurar um escultor para erguer o monumento. Foi encontrado o Sr. Octaviano (Otaviano/Octaviano) Papaiz, da cidade de Campinas, que mostrou entre várias obras, a figura de um Cristo igual ao do Corcovado, que estava disponível em suas oficinas. Para erguer o monumento, foi chamado o escultor Octaviano Papaiz, que apresentou a possibilidade da construção do Cristo, semelhante ao do Corcovado, no Rio de Janeiro, pois já tinha a matriz para a confecção.

Antes da construção do monumento, o professor Teodoro sugeriu a criação de um monumento com homenagem ao escoteiro, enquanto o Bispo Diocesano Don Francisco da Borja, presidente da Comissão Organizadora do levantamento da estátua, decidiu que o homenageado deveria ser São Francisco, padroeiro da Diocese. A estátua do Alto do Cristo Redentor foi inaugurada no dia 31 de março de 1956 à meia-noite, pelo bispo Diocesano Don Francisco Borja do Amaral.

Cristo Redentor de Taubaté vista a partir do Bairro Alto de São Pedro

O escultor e o processo de fabricação

A primeira réplica do Cristo Redentor do Brasil, fabricada por Otaviano Papaiz, foi construída na década de 1950. Ele tinha uma marmoraria e já trabalhava com arte sacra quando construiu uma estátua de 12 metros. Como Otaviano tinha os moldes, tornou aquilo um negócio: depois de 1964 houve um bom aumento no número de pedidos, segundo relatos da família Papaiz.

Para fazer as formas do Cristo Redentor, Otaviano primeiro construiu um modelo em barro. Depois, fez um molde em gesso. Quanto maior a estátua, mais peças são usadas na montagem: a imagem de 8 metros precisa de 51 peças, enquanto a de 12 metros requer 141 pedaços. As primeiras partes são em formato de anel, o que deixaria o Cristo oco por dentro.

Engana-se quem pensa que construir um monumento desses custava muita coisa. Apesar de parecer imponente, o serviço dos Papaiz não ultrapassava o equivalente a cerca de 12 mil reais pela maior estátua. Na opinião de Ivo, isto foi um dos fatores que mais ajudaram na popularização, já que os prefeitos não precisavam da autorização da Câmara para as pequenas compras. Depois de 2000, houve uma queda nas encomendas; o empreendedor acredita que isso se deva à burocratização das prefeituras e o fortalecimento de outras religiões. Em 2005, ele vendeu as formas e abandonou o negócio.

Aspectos técnicos e imprevistos na obra de Taubaté

Um dos primeiros imprevistos na construção da estátua foi o arcabouço de aço que causava consequências desagradáveis. O Dr. Urbano Alves de Souza Pereira, que começou a fazer parte da comissão, observou a resistência do terreno com 8 estacas de concreto. Essas providências estavam entre as ações técnicas necessárias para a sustentação da imagem no Alto do Bairro São Pedro.

Relação com o Cristo Redentor do Corcovado

A imagem de Taubaté foi inspirada no Cristo Redentor do Corcovado, no Rio de Janeiro, e o escultor Papaiz utilizou matrizes que reproduziam a figura clássica com os braços abertos. A similaridade com o monumento carioca foi um argumento de peso na aprovação e arrecadação de fundos locais, além de atrair a atenção da comunidade e da Diocese.

Contexto histórico e cultural

O programa «Minuto Azul da Ave Maria», da Rádio Difusora, foi uma das mobilizações que trouxe ideias e apoio para o levantamento da estátua em Taubaté. A implantação do monumento refletiu tanto o sentimento religioso local quanto o desejo de criar um ponto de referência e identidade comunitária. A inauguração formal à meia-noite teve o simbolismo religioso próprio das celebrações católicas da época.

Importância local

  • A estátua de 23 metros tornou-se marco urbano e ponto de referência religiosa.
  • O monumento foi fruto de esforço comunitário, mobilizando a Diocese, a rádio local e lideranças como o professor Teodoro.
  • Além de função religiosa, passou a integrar o patrimônio visual da cidade e a memória coletiva.

Rio Antigo - A Construção do Cristo Redentor (Documentário Completo)

Comparações e curiosidades

O Cristo Redentor original do Rio de Janeiro, inaugurado em 1931, mede 30 metros e tornou-se o mais famoso do país, mas existem pelo menos outros 250 exemplares espalhados pelo Brasil, com medidas que chegam até 12 metros. A produção de réplicas em série por oficinas como a de Papaiz contribuiu para essa proliferação.

Enquanto o Cristo do Corcovado é a maior expressão art déco no mundo e exigiu soluções como o revestimento em esteatita cortada em milhões de triângulos, as réplicas municipais como a de Taubaté adotaram processos mais econômicos e por módulos, o que permitiu a instalação de enormes imagens religiosas em cidades de diferentes portes.

Fontes locais e documentação

Registros do acervo municipal mencionam: «Em 1956, no Bairro Alto de São Pedro foi inaugurada a estátua do Cristo Redentor, com 23m de altura, que foi construído por iniciativa do professor Teodoro Correia Cintra, que angariou recursos na Diocese de Taubaté e por meio do programa Minuto Azul da Ave Maria, na Rádio Difusora.» A documentação também destaca a participação de Octaviano Papaiz e o uso de uma matriz semelhante à do Corcovado.

Visitação e papel atual

Hoje, o Cristo Redentor de Taubaté ocupa lugar de destaque nas rotas turísticas e religiosas locais, atraindo visitantes e fiéis ao Alto de São Pedro. A estátua é parte do patrimônio fotografado e lembrado pela população, aparecendo em acervos e coleções de imagens dos municípios brasileiros.

Tabela resumida - dados principais

  • Local: Bairro Alto de São Pedro, Taubaté
  • Inauguração: 31 de março de 1956, à meia-noite
  • Altura: 23 metros
  • Idealizador: Professor Teodoro Correia Cintra
  • Escultor/fornecedor: Octaviano (Otaviano) Papaiz
  • Participação comunitária: Diocese de Taubaté, Rádio Difusora (programa Minuto Azul da Ave Maria)

O Cristo Redentor de Taubaté é, assim, um exemplo de como iniciativas locais combinaram fé, arte sacra e empreendedorismo para criar um monumento que dialoga com um dos símbolos nacionais, ao mesmo tempo em que constrói identidade e memória próprias para a cidade.

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